Câmara de Sete Lagoas devolve projeto de concessão do Parque da Cascata ao Executivo para adequações

Após audiência pública marcada por pedidos de transparência, vereadores decidem que proposta precisa de pareceres técnicos e critérios de gratuidade antes de seguir para votação

Publicado em: 16/04/2026

Câmara de Sete Lagoas devolve projeto de concessão do Parque da Cascata ao Executivo para adequações

O futuro da gestão do Parque da Cascata, um dos maiores patrimônios ambientais de Sete Lagoas, ganhou um novo capítulo nesta semana. Em audiência pública realizada na última segunda-feira (13), na Câmara Municipal, parlamentares e sociedade civil decidiram pela devolução do Projeto de Lei Ordinária (PLO) nº 1102/2025 à Prefeitura Municipal para que o texto seja reformulado.

A proposta do Executivo autoriza a outorga de concessão de uso do parque à iniciativa privada e a instituição de cobrança de ingresso para visitação. No entanto, o debate revelou que a matéria ainda carece de subsídios técnicos fundamentais para garantir a segurança jurídica e ambiental da Serra de Santa Helena.

Questionamentos do Observatório Social

O requerimento para a audiência partiu do Observatório Social do Brasil – Sete Lagoas. Durante o debate, o presidente da entidade, Dr. Benjamin, alertou que o projeto foi apresentado sem pareceres cruciais de órgãos como o Conselho Municipal de Desenvolvimento Ambiental (Codema), a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semad) e o Instituto Estadual de Florestas (IEF). “A audiência serviu para trazer esclarecimentos e amadurecer a discussão. Faltam informações técnicas e pareceres econômico-financeiros. Precisamos de novos subsídios para ampliar a discussão antes de avançar na apreciação do projeto”, pontuou Dr. Benjamin.

Equilíbrio entre concessão e acesso público

Representando o Executivo, o coordenador institucional de Meio Ambiente, Roberto de Jesus Viana (Totó), defendeu que o objetivo da gestão é garantir a manutenção e a modernização do parque, que passou recentemente por reformas. Segundo ele, a participação da Câmara e do Observatório Social é democrática e contribui para que o processo seja transparente.

Um dos pontos de maior atenção dos vereadores e da população presente é a "modicidade tarifária". O Legislativo cobra que o edital de concessão estabeleça critérios rígidos de gratuidade ou redução de preços para grupos vulneráveis, garantindo que o parque não se torne um espaço excludente.

Próximos passos e encaminhamentos

O presidente da Comissão de Saúde, Meio Ambiente e Assistência Social, vereador Eraldo da Saúde (PSB), confirmou o encaminhamento final do encontro: o projeto não será votado agora. “Tivemos explanações muito importantes. Decidimos devolver o projeto para o Executivo para a melhor adequação”, afirmou o parlamentar.

A proposta agora retorna à Prefeitura, que deverá anexar os estudos técnicos exigidos e detalhar o plano de investimento da receita arrecadada que, por lei, deve ser destinada ao Fundo Municipal de Meio Ambiente (FMMA).

Participaram da audiência, além do presidente da comissão, o relator Téo da Equoterapia (Podemos); o vogal Gilson Liboreiro (Solidariedade); os vereadores Heloísa Frois (Novo) e Deyvison da Acolher (Solidariedade). Também estiveram presentes o presidente e liquidante da Sete Lagoas Lazer e Turismo (Seltur), Nuno Valace; a secretária adjunta de Turismo, Claudia Elane; o consultor jurídico da Secretaria de Meio Ambiente, Pedro Mauro Silvestre; a superintendente de Meio Ambiente e Sustentabilidade, Sideny Goreth Gomes Abreu, além de representantes da sociedade civil.

Assista na íntegra

Para quem deseja conferir todos os argumentos apresentados por vereadores, especialistas e representantes da sociedade civil, o vídeo da audiência pública está disponível na íntegra no canal oficial da Câmara Sete Lagoas no YouTube.