Audiência Pública debate o fechamento do Centro Socioeducativo e o destino de 90 servidores em Sete Lagoas
Evento na Câmara Municipal mobilizou autoridades e sociedade para discutir a transferência de servidores e o possível uso futuro das instalações
Publicado em: 30/04/2026
A Câmara Municipal de Sete Lagoas sediou, nesta segunda-feira (27), uma Audiência Pública para discutir o encerramento das atividades do Centro Socioeducativo (CSE) local. O debate, fruto do Requerimento nº 380/2026, de autoria do vereador Téo da Equoterapia (Podemos), concentrou-se no impacto humano sobre 90 servidores e no receio da comunidade quanto ao uso futuro das instalações.
Incerteza e impacto familiar
O principal ponto de pauta foi a situação dos 90 servidores concursados (81 homens e 9 mulheres) que, após décadas de serviço na cidade, muitos com mais de 20 anos de carreira, relataram ter sido surpreendidos pela decisão da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) de desativar a unidade.
O vereador Téo da Equoterapia (Podemos) destacou a gravidade da transferência compulsória: "Não estamos falando de bens materiais, estamos falando de seres humanos com famílias. Muitos cuidam de crianças especiais e idosos. Fizemos esta audiência para que chegue ao Estado o pedido de que esses funcionários permaneçam em Sete Lagoas", afirmou o parlamentar.
Segurança pública e o setor industrial
Além do aspecto trabalhista, a audiência abordou a preocupação de que o prédio do CSE seja convertido em um presídio comum ou receba novos projetos relacionados ao sistema prisional. Segundo o vereador proponente, a localização da unidade, próxima a grandes indústrias, áreas residenciais e instalações militares, levanta preocupações quanto à ampliação do sistema prisional na região.
Relatos de descaso e propostas de solução
Durante as manifestações, o servidor Cláudio Antônio Rocha, com quase 24 anos de serviço, emocionou o plenário ao relatar sua situação pessoal: "Tenho um filho autista que faz todo o tratamento aqui em Sete Lagoas. Minha vida e minha casa estão aqui. Eu não sou uma cadeira ou uma mesa, preciso ser tratado com respeito e dignidade", relatou Cláudio. Ele pontuou ainda que sua esposa também é servidora há quase seis anos na instituição.
Como alternativa à transferência para cidades distantes, a presidente do Sindicato dos Servidores (Sindsemi), Luzana de Assis Moreira, propôs a integração dos agentes à Polícia Civil local. "Propomos que o servidor fique para auxiliar no fluxo administrativo de atos infracionais e encaminhamentos ao Judiciário. Isso gera economia para o Estado, que não precisaria pagar indenizações de remoção, e ganho para a segurança da nossa cidade", explicou Luzana.
Próximos passos
O Subtenente Wesley Soares, presidente da Associação Central Única dos Militares Estaduais de Minas Gerais (CUME), confirmou que a audiência servirá de base para uma interlocução direta com o Governo de Minas Gerais. O objetivo é agendar uma reunião com o governador para apresentar as reivindicações colhidas no Legislativo e buscar a manutenção dos empregos e da segurança jurídica dos servidores em Sete Lagoas.
Assista na íntegra
A Audiência Pública foi transmitida ao vivo e o registro completo, com todas as falas e encaminhamentos, pode ser acessado no canal oficial da Câmara Municipal de Sete Lagoas no YouTube.