Câmara de Sete Lagoas sedia lançamento do projeto "Sentinelas de Si" voltado à prevenção da violência doméstica
Com apoio do Legislativo e do Executivo, iniciativa reúne ações de prevenção, acolhimento, orientação e capacitação para mulheres.
Publicado em: 23/07/2026
A Câmara Municipal de Sete Lagoas foi palco, na noite de quinta-feira (16), do lançamento oficial do projeto "Sentinelas de Si". Idealizada por Renata Carvalho Silva, a iniciativa conta com o apoio do vereador Divaldo Capuchinho (Podemos) e da Prefeitura de Sete Lagoas, por meio da Secretaria Municipal da Mulher. O programa tem como proposta fortalecer a rede de apoio às mulheres no município por meio de ações estratégicas de acolhimento, orientação, capacitação e segurança.
A proposta do "Sentinelas de Si" atua na prevenção primária à violência doméstica e ao feminicídio. O projeto funciona por meio de uma rede de voluntárias, chamadas de "madrinhas" ou "sentinelas", que servem como ponte entre as vítimas e os órgãos públicos, além de promover a colagem de selos informativos com QR Codes em comércios locais para denúncias e orientações sob sigilo.
“É com satisfação que estou aqui nesta Casa com meu coração cheio de alegria porque vocês abraçaram essa causa, e sozinho ninguém consegue fazer algo grande”, destacou a idealizadora Renata Carvalho Silva. “O projeto foca na prevenção primária, que começa lá nas crianças, na base da educação. Tudo aquilo que foi plantado ou semeado de negatividade, a gente consegue retirar com amor e parcerias unidas na rede de enfrentamento.”
Renata Carvalho Silva relatou que experiências pessoais relacionadas à violência doméstica motivaram a criação do projeto. Segundo ela, essas vivências reforçam a importância da prevenção e do acolhimento às mulheres.
Programação e pilares de atuação
Durante os encontros do programa, as participantes terão acesso a atividades voltadas ao fortalecimento da autonomia, incluindo: capacitação e cadastro de currículos para inserção no mercado de trabalho;orientações sobre os direitos da mulher e a rede de proteção; oficinas de autoestima e rodas de conversa; noções de defesa pessoal; e momentos de convivência e acolhimento.
Aliança entre sociedade civil e órgãos públicos
A relevância do trabalho conjunto entre o poder público e as organizações civis foi um dos pontos mais debatidos no lançamento. Ana Flávia Machado, assessora executiva de gabinete da Secretaria Municipal da Mulher, celebrou a união das forças. “É sempre um prazer ter a Casa do Legislativo aberta para falar de um tema tão importante. Hoje tivemos a oportunidade de falar com diversos atores da rede de enfrentamento. Projetos como esse, da sociedade civil, aproximam as mulheres dos órgãos públicos. Não existe combate à violência com um órgão só; é uma luta coletiva de toda a sociedade”, pontuou a representante do Executivo.
A psicoterapeuta e palestrante Bárbara Cruz reforçou o impacto emocional do projeto: “As mulheres precisam de espaços seguros e de um projeto que as abrace. Sentinela significa aquela pessoa que cuida de si e do outro”.
Do acolhimento ao empreendedorismo
O projeto também desenha o caminho para a independência financeira, considerada crucial para o rompimento do ciclo de abuso. Drizana Beatriz, empresária e uma das madrinhas da iniciativa, explicou como o ecossistema do programa se conecta até a ponta final da emancipação da mulher. “O acolhimento começa lá no fundo do poço, passando pelo socorro da polícia, o suporte psicológico do CREAS e a restauração da mente. Eu, na área do empreendedorismo da beleza, enxergo a minha atuação como o toque final: trazer de volta o brilho da mulher e ensiná-la a empreender e buscar sua independência. O conhecimento é uma liberdade que nunca será tirada dela. Quando ela busca ajuda, já dá o primeiro passo para conquistar algo melhor”, explicou Drizana.
Avanço no Legislativo: Projetos de Lei em tramitação
O tema também passou a integrar a pauta legislativa da Câmara Municipal. O vereador Divaldo Capuchinho (Podemos), apoiador da iniciativa, mencionou, durante seu pronunciamento, dados sobre a violência contra a mulher e ressaltou que três matérias de sua autoria já tramitam na Casa para converter o projeto em política pública permanente: “Recebemos a Renata no gabinete e de pronto apadrinhei esse grande projeto. Como agente de segurança pública da Polícia Rodoviária Federal, sei que os números são alarmantes: são cerca de 3,7 milhões de mulheres vítimas de violência por ano no Brasil, e 71% dos casos acontecem dentro de casa. Este é um momento ímpar de passar informações, estimular o acolhimento e salvar vidas. Queremos que esse modelo sirva de exemplo para outros municípios de Minas Gerais e do Brasil”, declarou o vereador.
Atualmente, estão sob análise dos parlamentares locais:
● PLO 364/2026: Estabelece as diretrizes para a promoção do Programa "Sentinelas de Si – Portão Fechado", focando na prevenção primária e no fortalecimento da rede de proteção municipal.
● PLO 368/2026: Institui oficialmente o "Dia Municipal Sentinelas de Si – Portão Fechado" no Calendário do Município, a ser celebrado anualmente em 20 de julho.
● APL 84/2026: Anteprojeto que propõe ao Executivo a execução do programa em referência aos 20 anos da Lei Maria da Penha (Lei Federal nº 11.340/2006).
Como buscar ajuda
A organização do evento relembrou que as denúncias e pedidos de socorro podem ser feitos de forma segura e sigilosa pelos canais unificados:
● Central de Atendimento à Mulher: Disque 180 (atendimento especializado)
● Polícia Militar: Ligue 190 (para situações de emergência e flagrante)
O evento está disponível na íntegra no canal oficial da Câmara Municipal de Sete Lagoas no YouTube.