Câmara de Sete Lagoas foi palco de sessão especial em homenagem ao Dia Internacional da Mulher Negra
Encontro solicitado pelo COMPIR destacou a luta contra o racismo, o sexismo e a invisibilidade das mulheres negras, reforçando a importância de políticas públicas efetivas.
Publicado em: 19/08/2025
Na última sexta-feira (15), a Câmara Municipal de Sete Lagoas foi palco de um momento de fortalecimento da resistência e da representatividade das mulheres negras sete-lagoanas. Solicitada pelo COMPIR (Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial), a sessão especial pautou o Dia Internacional da Mulher Negra, Latino-americana e Caribenha, celebrado em 25 de julho.
O evento contou com o apoio da Comissão da Mulher da Câmara Municipal e reuniu representantes que há anos militam contra o racismo, o sexismo e a invisibilidade histórica enfrentada pelas mulheres negras na sociedade.
Para a presidente do COMPIR, Juliana Freitas, a data é um marco de reflexão e luta. “Essa data tem por objetivo fazer uma reflexão sobre a situação da mulher negra na sociedade, que sofre dupla discriminação e violência: do racismo, do sexismo e também da violência de gênero. Os dados demonstram que as mulheres negras são as maiores vítimas de todo o processo de violência que ocorre nesse país”, destacou.
O presidente da Câmara, Ivan Luiz (PDT), ressaltou o compromisso da Casa Legislativa em atuar de forma inclusiva. “A Câmara Municipal tem esse olhar aberto às desigualdades, para que possamos um dia equalizar essa disparidade tão grande entre cor da pele, condição financeira e gênero. Abrir as portas para o COMPIR nada mais é do que a obrigação da Câmara enquanto dirigentes”, afirmou.
Durante a sessão, também foram apresentadas falas que convidaram o público a refletir sobre temas urgentes e profundos. Questões como “Onde está a mulher preta? Uma reflexão sobre invisibilidade e poder”, trazidas por Nany Oliveira, “O resgate da memória de mulheres negras como enfrentamento ao racismo”, ministrada por Ariele Santos e “A luta coletiva das mulheres negras: uma perspectiva histórico-jurídica contra o racismo, o sexismo e a invisibilidade”, evidenciada por Thais Campos, ecoaram no plenário como um chamado coletivo, um chamado para enxergar o que tantas vezes foi silenciado, resgatar memórias que não podem ser esquecidas e reforçar a luta compartilhada que impulsiona a construção de uma sociedade mais justa e igualitária.
Já a conselheira do COMPIR, Veridiana Carmelito, reforçou a necessidade de dar voz às demandas das periferias. “Estamos trazendo as demandas dessas áreas mais periféricas, onde as políticas públicas precisam chegar. Certamente iremos encaminhar todas as propostas aos setores competentes, para que não fiquem apenas no campo das ideias, mas se tornem realidade”, alertou.
Juliana Freitas reforçou ainda a importância da representatividade dentro da gestão pública: “É fundamental que a sociedade e o poder público tenham um olhar diferenciado para o atendimento às mulheres negras. Mas, para que isso seja real, é preciso também que mulheres negras ocupem cargos de direção e chefia, contribuindo para a construção de políticas públicas mais justas e efetivas”, concluiu.
A reunião contou ainda com um momento de leveza, brilho e potencia artística da mulher negra, em um performance artística apresentada pela cantora Nanda Costa.
A sessão especial reafirmou a Câmara Municipal de Sete Lagoas como espaço de diálogo e escuta da população, fortalecendo a luta pela igualdade racial e de gênero, e destacando o protagonismo das mulheres negras na construção de uma sociedade mais justa.