Audiência Pública debate acessibilidade de pessoas com deficiência no transporte coletivo em Sete Lagoas
Reunião integra Semana Nacional da Pessoa com Deficiência e discute soluções relativas ao transporte público
Publicado em: 25/08/2025
Na noite de quinta-feira (21), a Câmara Municipal de Sete Lagoas sediou uma Audiência Pública proposta pelo vereador Walisson Lelé (Rede), que discutiu os desafios enfrentados por pessoas com mobilidade reduzida no transporte coletivo urbano. O encontro buscou levantar propostas e soluções para garantir inclusão, dignidade e o direito de ir e vir.
A iniciativa integrou a programação da Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Múltipla e Intelectual, reforçando a importância de dar visibilidade às demandas urgentes relacionadas à acessibilidade. Sob o tema “Acessibilidade de Pessoas com Deficiência no Transporte Coletivo”, a reunião contou com a presença do o diretor de Transportes da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana, Túlio Magno Antunes; o representante da TURI, Alisson Martins; e o presidente da Cooperseltta, Geraldo Vieira, do vereador Téo da Equoterapia (Podemos) e comunidade em geral.
Manifestação popular
Wilson Cardoso, um dos oradores inscritos, destacou a necessidade de sensibilidade diante das dificuldades enfrentadas por pessoas com mobilidade reduzida: “Não adianta tapar o sol com a peneira. Essa barreira física, que é a questão dos elevadores de acesso, dificulta muito a nossa vida enquanto deficientes. Além disso, a segurança para nós precisa ser redobrada”, pontuou.
Assim como Wilson, vários participantes ressaltaram a urgência de melhorias na acessibilidade e de maior empatia por parte dos profissionais do transporte coletivo. O lojista Amilton é cadeirante e relatou que depende do transporte público diariamente, mas precisou alterar seu horário de saída porque um ônibus da empresa Turi, aparentemente novo, se recusa a transportá-lo há quatro meses, alegando que o elevador está quebrado: “Eu não entendo, porque dizem que testam os elevadores todos os dias, mas há quatro meses não consigo usar aquele ônibus. Preciso sair do meu serviço mais cedo porque ele não me leva.”
Respostas das empresas
Diante da denúncia, representantes das empresas concessionárias solicitaram os detalhes da linha e do horário e se comprometeram a verificar a situação e buscar melhorias.
O representante da Turi Transportes, empresa responsável pelo transporte coletivo em Sete Lagoas, afirmou que todos os funcionários têm a obrigação de inspecionar os veículos antes de saírem da garagem. Alisson Martins reconheceu o sucateamento da frota, mas atribuiu a situação à falta de subsídio do governo municipal. “Todos os funcionários da Turi Transportes são obrigados a conferir os veículos que saem da garagem. A partir das 3h50 da manhã, quando os primeiros ônibus saem, é realizado um checklist completo, que inclui a verificação do elevador de acessibilidade. Se o equipamento apresentar problemas, o veículo não pode sair. É natural que muitas vezes os usuários não saibam disso e acabem sugerindo medidas que já são realizadas diariamente. Nossa concessionária tem cerca de 50 anos de mercado e sempre manteve esses princípios. Conferimos luz de freio, setas, limpadores de para-brisa e, claro, o elevador. O problema é que, devido às ruas esburacadas, mesmo saindo da garagem em funcionamento, os elevadores podem apresentar falhas após duas ou três viagens”, explicou Martins.
Já Geraldo Vieira, presidente da Cooperseltta – cooperativa de transporte do município –, também reconheceu a precariedade do sistema e os impactos negativos para a população. Ele destacou, no entanto, que as empresas enfrentam dificuldades para investir diante da ausência de acordo com a Prefeitura. “Hoje, a precariedade do transporte coletivo em Sete Lagoas afeta não apenas os passageiros com mobilidade reduzida, mas toda a população, que merece um serviço de qualidade. Se tem alguém que tem lutado para que isso aconteça, essa pessoa sou eu. O sistema está fragilizado. A arrecadação atual mal cobre os custos, que são muito altos, e isso reflete diretamente na frota, que está envelhecida e não suporta a manutenção necessária. O resultado é que a população, especialmente a mais vulnerável, continua sofrendo. O transporte público é um direito do cidadão e um dever do município. Nós, enquanto concessionários, estamos buscando alternativas para oferecer um serviço melhor e mais digno para Sete Lagoas”, ressaltou Vieira.
Durante os debates, o vereador Téo destacou que dificuldades financeiras das empresas não podem justificar a precariedade no atendimento a pessoas com deficiência: “As concessionárias têm seus desafios, mas isso não pode servir de desculpa para negar o mínimo de dignidade às pessoas que dependem do transporte coletivo. Já fizemos fiscalizações no terminal urbano com cadeirantes e vamos continuar acompanhando. É preciso que haja rampas funcionando, tratamento humanizado e conscientização dos profissionais. A desumanização relatada aqui é algo que não podemos aceitar.”
Presidindo a sessão, o vereador Walisson Lelé (Rede) inovou ao inverter a ordem tradicional das falas, priorizando a participação da população antes das manifestações de representantes do setor. Segundo ele, a medida garantiu um retrato mais fiel da realidade vivida pelos usuários e abriu espaço para respostas diretas das empresas e autoridades.
O presidente da sessão avaliou como positiva a participação da população e reforçou a necessidade de respostas efetivas: “Foi uma audiência muito produtiva. Se dependesse dos participantes, ficaríamos a noite inteira debatendo, porque os problemas são muitos, principalmente com as plataformas elevatórias dos ônibus. Agora, esperamos respostas concretas das empresas. O intuito foi trazer essas demandas para a Casa do Povo, lembrando que estamos tratando de pessoas que merecem respeito e acolhimento. O profissional precisa estar capacitado para agir quando houver falhas nos equipamentos.”
O diretor de Transportes da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana, Túlio Magno, reforçou que o objetivo da audiência foi discutir exclusivamente a acessibilidade, e não o subsídio às empresas, mas garantiu que a fiscalização seguirá como prioridade: “As propostas de melhoria passam pela instalação de abrigos, adequação dos passeios com rampas e funcionamento dos elevadores. Enquanto Secretaria, continuaremos fiscalizando e aplicando as penalidades necessárias. Também estamos abertos a outras discussões que ampliem o debate sobre mobilidade.”
Ao final, o vereador Walisson Lelé garantiu que encaminhará formalmente as demandas levantadas: “Anotei cada sugestão e, junto ao jurídico, vamos avaliar os encaminhamentos possíveis. Espero que as empresas tenham um olhar humano para essas pessoas, que já enfrentam tantas dificuldades no dia a dia. Precisamos facilitar sua mobilidade, não apenas no transporte coletivo, mas na cidade como um todo.”
A audiência foi transmitida pela TV Câmara (canal 11.2), pela Rádio Câmara (FM 103.5) e pelo canal oficial do Legislativo no YouTube, onde permanece disponível para acesso público.